Hospital Nina Rodrigues realizou mais de 1 milhão de atendimentos em quatro anos

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Aldenice Silva Cantanhede e a monitora culinária Maria Lourdes da Mota Serra destacam a importância dos serviços oferecidos no Nina Rodrigues (Foto: Julyane Galvão)

Pacientes encontram no Hospital Nina Rodrigues assistência especializada e tratamento em saúde mental no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). De 2015 até 2018, a unidade psiquiátrica, que completou 78 anos no último dia 24, realizou mais de 1 milhão de atendimentos, considerando internações e atendimentos ambulatoriais.

“O Hospital Nina Rodrigues cumpre um papel fundamental de acolher as pessoas, quer seja na urgência e emergência, quer seja no atendimento ambulatorial, bem como trabalha a prevenção e o rompimento de estigmas. Ao longo dos anos, ele tem qualificado o atendimento, tornando mais humana a assistência”, comenta o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula.

No total, o Hospital Nina Rodrigues realizou em quatro anos 1.181.575 atendimentos, dos quais 8.609 internações e 1.172.966 atendimentos ambulatoriais.

Atualmente, a unidade é referência para atendimento de pacientes com transtornos mentais e usuários de drogas dos 217 municípios do estado e em todas as idades. Possui 25 leitos de curta internação psiquiátrica (pronto atendimento) e 55 de clínica médica (leitos de retaguarda usados pela rede estadual de saúde).

Aldenice Silva Cantanhede e a monitora culinária Maria Lourdes da Mota Serra destacam a importância dos serviços oferecidos no Nina Rodrigues (Foto: Julyane Galvão)

A diarista Aldenice Silva Cantanhede, de 42 anos, entrou pela primeira vez na unidade há nove anos em surto devido uma depressão pós-parto, o filho tinha cerca de 30 dias de nascido. Ela lembra do período difícil e dos pensamentos suicidas recorrentes, algo que ela diz ter ficado para trás, uma vez que o acompanhamento que faz no local e as oficinas terapêuticas lhe deram outra perspectiva, em especial a de culinária, que frequenta há quatro anos.

“O hospital foi primordial. Penso que se não tivesse recebido esse abraço e sido acolhida, não teria me desenvolvido tanto. A depressão te deixa de uma forma que você acha que não serve para nada. Quando conheci a cozinha terapêutica que passei a aceitar minha condição, e percebi que servia para alguma coisa, sei que posso ajudar minha família e ser útil. Hoje, trabalho como diarista e faço bolo e salgado para fora”, conta Aldenice Silva Cantanhede.

A monitora culinária Maria Lourdes da Mota Serra trabalha na unidade há 8 anos. Carinhosamente chamada de Vó Lourdes, ela é apontada por muitos pacientes, entre eles Aldenice, como importante no processo terapêutico, assim como muitos outros monitores. Para ela, é um via de mão dupla.

“Para mim é tudo comemorar este aniversário de 78 anos. Tenho muito tempo trabalhando com pacientes, mesmo antes do Nina, e eles são como minha família. Esse carinho faz muito diferença. O hospital ajuda muito e mostra caminhos. O paciente precisa se ocupar e ter carinho”, afirma.

Serviços

Ruy Cruz, diretor-geral do Hospital Nina Rodrigues, enumerou avanços nos serviços oferecidos nos últimos quatro anos (Foto: Julyane Galvão)

O Hospital Nina Rodrigues oferta à população cinco serviços: pronto atendimento de urgência e emergência, ambulatório, enfermaria de curta permanência, enfermaria clínica e enfermaria de pacientes judiciais.

Dentre os avanços alcançados nos últimos quatro anos, destaque para a criação dos ambulatórios especializados (infantil, de transtornos de humor, ansiedade e de esquizofrenia); a oferta das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) para usuários e servidores, tais como a meditação, auriculoterapia, acupuntura, reiki, entre outros; o Programa de Residência Médica em Psiquiatria do qual participam 15 médicos; a ampliação das Oficinas Terapêuticas, com a inauguração de uma fábrica de vassouras com garrafas PET, entre outros.

“Em quatro anos, avançamos muito na assistência à população devido à qualificação do serviço. Nossas equipes fazem cursos de educação continuada e permanente, capacitações e oficinas. Além disso, esses profissionais passaram a contar com mais cuidados também. Para o usuário, ampliamos a oferta de tratamentos complementares com equipe multidisciplinar”, destaca Ruy Cruz, diretor-geral do Hospital Nina Rodrigues.

Maria Lourdes da Mota Serra, carinhosamente chamada de Vó Lourdes, fala do carinho em trabalhar na unidade (Foto: Julyane Galvão)

Piqueniques, sessões de cinema, bailinhos carnavalescos, curso de grafitagem, fábrica de bolsas feitas de lona estão entre as oficinas que são planejadas com fins terapêuticos. Em breve, uma fábrica de brinquedos educativos será aberta visando à população infanto-juvenil.

Segundo o diretor Ruy Cruz, o hospital tem sido essencial também na mudança de mentalidade acerca de saúde mental e da Reforma Psiquiátrica, na medida em que atua tanto inserindo o paciente na sociedade, como trazendo a sociedade para perto da unidade.

“O hospital tem sido importante para mostrar à sociedade que saúde mental não é ausência de sofrimento, mas sim ter qualidade de vida com base no entendimento que é preciso lidar com frustrações, medos, raivas e alegrias comuns à vida”, diz.

Raio X do Hospital Nina Rodrigues

Inauguração:
24 de março de 1941 (78 anos).

Serviços:
Pronto atendimento de urgência e emergência (SPA), ambulatório, enfermaria de curta permanência, enfermaria clínica e enfermaria de pacientes judiciais.

Leitos:
25 para internação de curta permanência psiquiátrica e 55 de internação clínica.

Ambulatórios especializados:
clínica médica, psiquiatria, neurologia, psicologia, nutrição, terapia ocupacional e fonoaudiologia, e perícias psiquiátricas.

Atendimentos 2015/2018: 1.181.575.